CBF anuncia parceria para acabar com a LGBTfobia no futebol brasileiro

Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Ceará já foi denunciado no STJD por gritos homofóbicos

Nesta terça-feira, 8, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) anunciou uma parceria histórica no combate à LGBTfobia no futebol brasileiro. A entidade máxima do esporte nacional firmou um compromisso junto ao coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+ para que o futebol seja mais inclusivo e livre de preconceitos.

Criado em 2019, o grupo tem como intuito fortalecer o combate a LGBTfobia com campanhas, ações e iniciativas para maior diversidade no esporte.

Um dos projetos do coletivo é a elaboração do Observatório da LGBTfobia no Futebol, com a produção de um relatório anual sobre os casos denunciados e de boas práticas envolvendo atletas, clubes, torcida e federações.

O anuário do coletivo relativo ao ano de 2022 será lançado no primeiro semestre de 2023. Com o apoio da CBF, o material será impresso e distribuído para todos os clubes participantes das competições nacionais, federações e justiças desportivas.

Com uma maior divulgação do material, a expectativa é que o documento sirva como uma ferramenta de orientação e maior informação no combate à LGBTfobia no futebol brasileiro.

Sobre a parceria com a CBF, Yuri Senna e Onã Rudá, criadores do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ+

“Essa parceria com a CBF sanciona o trabalho incansável que a gente tem feito na Canarinhos LGBTQ+. Poder contar com o apoio da CBF para alcançar mais resultados com o anuário é poder criar novos caminhos e ferramentas para o combate à LGBTfobia no futebol brasileiro. Daqui pra frente sabemos que temos mais um parceiro conosco”, disse Senna, co-fundador do coletivo.

“A parceria com a CBF nos abre muitas portas porque nos dá a possibilidade para difundir as informações. Com esse apoio, vamos poder divulgar melhor as nossas informações e ter também uma abertura maior com os clubes e federações”, explicou Onã Rudá.

Ceará denunciado por gritos homofóbicos

No ano passado, o Ceará foi denunciado no Superior Tribunal da Justiça Desportiva (STJD) pelo Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ por ato discriminatório devido cânticos homofóbicos no estádio. O grupo acusa jogadores e o presidente Alvinegro também participaram de manifestações homofóbicas cantando música provocativa à Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF), seu maior rival, chamando-os de “gay”. Além do Alvinegro de Porangabuçu, outros Náutico-PE, Atlético-MG, Internacional-RS, Remo-PA, Paysandu-PA, Corinthians e Fluminense também foram denunciados por suas torcidas entoarem músicas de cunho homofóbico nos estádios.

Segundo consta no Artigo 243-G do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, está determinado como ato de racismo aquele que “praticar ato discriminatório, desdenhoso ou ultrajante, relacionado a preconceito em razão de origem étnica, raça, sexo, cor, idade, condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. O ato teria acontecido no dia 25 de novembro, quando o Vovô venceu o Corinthians por 2 a 1, na Arena Castelão, pela 35ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro.

Na nota, o grupo LGBTQ acusa os jogadores Vina, Messias, Luiz Otávio, Fernando Sobral, Rick, Lima, Gabriel Lacerda e Gabriel Dias, além do presidente Robinson de Castro, de terem participado da provocação cantando músicas de cunho homofóbico.

“Em partida realizada no Castelão, torcida, jogadores e diretoria do Ceará proferiram cantos com palavras de cunho homofóbico. Segundo o Coletivo das Torcidas LGBTQ, em vídeo juntado, é possível ouvir um coro gigantesco gritando: ‘A tuf é gay’ e ‘matador de leão e come c* de tufgay’, se referindo ao clube adversário, Fortaleza”, diz a denúncia do Coletivo de Torcidas Canarinhos LGBTQ ao STJD.

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