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Ceará e Athletico não se posicionam no dia do orgulho LGBTQIA+ e se isolam entre os clubes do Brasileirão

Foto: Reprodução

No estado, somando os sete times representantes da federação, nas quatro divisões nacionais, só o Alvinegro ficou de fora

Na última segunda-feira (28), foi celebrado o dia do orgulho LGBTQIA+. A data, reconhecida internacionalmente, celebra o amor, o respeito, a diversidade, além de ser marcada pela luta e reinvindicações de uma comunidade, oprimida até os dias de hoje, principalmente no Brasil, países esse, apontado como um dos mais intolerantes do mundo, nesse quesito.

Evidenciando essa opressão em solo verde e amarelo, o relatório da Associação Internacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e Intersexuais (ILGA), o Brasil ocupa o primeiro lugar nas Américas em quantidade de homicídios de pessoas LGBTs e também é o líder em assassinato de pessoas trans no mundo.

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Considerado um dos meios mais conservadores, sobretudo no nosso país, o futebol tem mudado sua atuação, em relação as causas sociais, como esta. Vários clubes, mundo a fora, se posicionaram na data. No futebol nacional, o Vasco foi responsável pela campanha mais efusiva, no atual ano. O Gigante da Colina trocou a cor da sua tradicional faixa diagonal, do preto para as cores da bandeira LGBTQIA+, em partida disputada pela Série B do Brasileirão.

Porém, a cereja do bolo foi no momento mais importante da prática esportiva: o gol. Principal referência técnica do Cruzmaltino, German Cano marcou um dos gols do clube, na partida e na comemoração, ergueu a flamula de escanteio, que era temática, em apoio a celebração. Gesto que deve ficar na história do movimento e do próprio clube, que se opôs, nos primeiros anos de sua história, a concordar com regras racistas e desafiou o sistema preconceituoso, à época.

Foto: Rafael Ribeiro / Vasco

Posicionamentos de clubes brasileiros

Considerando as duas principais divisões do futebol nacional, que contam com 40 clubes, ao todo, 33 fizeram algum tipo de declaração ou manifesto, em apoio a data. Flamengo e Fluminense, por exemplo, entraram em campo com alterações em seus uniformes. O já citado Vasco, realizará o uniforme comemorativo e doará o valor arrecado para ONG´S relacionadas ao movimento.

Destacando os times que ficaram de fora: Athletico/PR (Série A), Ceará (Série A), Coritiba (Série B), Goiás (Série B), Guarani (Série B), Londrina (Série B) e Vila Nova (Série B).

No futebol cearense, quase todos aderiram a campanha

Entre os 7 clubes do estado que participam do Brasileirão, em todas as suas divisões, apenas o Ceará não se posicionou. Atlético, Caucaia, Ferroviário, Floresta, Fortaleza, Guarany de Sobral prestaram suas homenagens.

Sendo o único a não participar, a falta de atitude do Alvinegro só foi mais repercutida. Em 2020, o clube também se calou.

”Vozão Pride” se pronuncia

Tida como primeira e única torcida LGBTQIA+ do estado, a Vozão Pride se posicionou sobre a ausência do clube na campanha: ”Infelizmente, por mais um ano, o Ceará Sporting Club se mantém omitido. Nós da Vozão Pride, torcemos para que um dia, a diretoria e o conselho do clube entendam que futebol não é feito somente dentro de campo. Você também deve se posicionar em causas sociais.”

Opinião

Tudo que foi citado acima, foi baseado em fatos. Aqui, vem uma visão pessoal: No futebol brasileiro, a ampla maioria dos clubes tem razão social. Logo, deve prestar algum tipo de serviço a sociedade. Apoiar movimentos que dão voz a minorias oprimidas, é um excelente modo de cumprir seu objetivo.

E quando se fala de movimentos sociais, não há três lados, como muitos pregam: Lado A, Lado B e Neutro. Apenas duas forças conflitantes: Oprimido e Opressores. Quem se cala, já está se posicionando.

O Ceará, por exemplo, é apelidado de ”time do povo”. Normalmente, essa alcunha é dada a clubes detentores de grande torcida, de todas as faixas etárias, condições financeiras, religião, raça, GÊNERO e SEXUALIDADE. Esses dois últimos, foram ignorados.

Dito isso, a omissão por parte da atual diretoria do clube, vai de contrário a história do Alvinegro e ao hino, que declama, em um dos trechos: ”Campeão da popularidade, Tua torcida hoje é toda cidade.” Isso mesmo, TODA a cidade. Independente da orientação sexual, gênero.

Vale destacar, que o Vovô tem sede no estado onde mais mata Travestis e Trans, proporcionalmente falando, no país que mais mata, em todo mundo. Nesse caso, o silêncio é pena de morte.

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