CAMPEONATO CEARENSE Entrevistas Icasa Série B - Cearense

Com bons trabalhos, técnico Washington Luiz fala sobre racismo: “A gente sente que faltam mais oportunidades a treinadores negros”

Foto: Divulgação/Icasa

Técnico levou o Icasa a semifinal da Serie B

Em entrevista exclusiva ao Portal Futebol Cearense, o técnico Washington Luiz, do Icasa, falou sobre o bom momento no Verdão do Cariri e um tema corriqueiro com treinadores negros no Brasil: o racismo.

Líder na fase de grupos do Campeonato Cearense Série B e classificado para semifinal onde enfrenta o Itapipoca, a equipe vive um bom momentos após anos inglórios de crises. Mesmo longe de um aporte financeiro rentável, o Icasa apostou em Washington Luiz e vem colhendo frutos em busca do retorno à elite do futebol cearense. Desde 2017 está sem divisões nacionais e na Segundona do Campeonato Cearense.

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Washington estava no Guarany de Sobral, antes da pandemia da Covid-19 e garantiu ao clube uma vaga na Copa do Brasil de 2021, por ter sido o campeão do primeiro turno da Série A do Cearense.

Além disso, o treinador já passou pelo Verdão, mas como jogador, atuando como volante e lateral-direito dos anos de 2002 a 2005.

Mesmo com bons trabalhos por várias equipes, inclusive sendo campeão da Taça Fares Lopes com Barbalha, o treinador não recebeu muitas oportunidades a não ser em equipes do interior do Ceará.

A única equipe que abriu as portas para o técnico fora desse ciclo foi o Ferroviário. Após duas vitórias e duas derrotas, Washington Luiz foi demitido e voltou ao Barbalha em 2014.

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Em conversa com o Portal Futebol Cearense, o treinador não descarta um caso de racismo velado mesmo que não tenha passado por algum momento explícito pela falta de oportunidades.

“Eu vejo que na Série A poderia ter mais treinadores negros. A gente sente falta de mais profissionais negros. Faltam mais oportunidades. Falta educação independente da cor. É uma luta diária para o combate ao racismo. Não era para discutirmos isso em nenhuma profissão, mas, infelizmente, tem pessoas que se acham melhores pela cor da pele. Temos que combater para todos teremos oportunidades iguais independente da sua cor.” opinou o treinador

De acordo com dados preliminares do Observatório da Discriminação Racial no Futebol, de janeiro até os primeiros dias de agosto, cerca de 15 casos de preconceito, seja ele racial, de gênero, religioso, entre outros, foram registrados no futebol brasileiro em 2020.

Em 2019, o Observatório contabilizou 56 casos de injúria racial no futebol brasileiro. Até então, este foi o maior número dos últimos seis anos. Em 2018, por exemplo, o número total de casos foi de 44.

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