Sem gastos exorbitantes, Fortaleza muda de patamar financeiro em três anos

Foto: Júlio Caesar

O tricolor viu seu orçamento aumentar vertiginosamente desde que conquistou dois acessos consecutivos e voltou a jogar a Série A após 13 anos

O Fortaleza vive o melhor momento financeiro de sua história. Depois de ficar preso em um abismo financeiro e futebolístico, que foi a Série C do Campeonato Brasileiro , o clube viu “o jogo virar” ao fim de 2017, quando conquistou frente ao Tupi-MG, o acesso a Série B do Brasileirão.

Desde então, a diretoria sempre pregou cautela em contratações. Apesar de ver o caixa no azul, o presidente do clube, Marcelo Paz, não fez grandes gastos em compra de jogadores. Um dos segredos do Leão em manter a qualidade dentro de campo, sem cometer devaneios financeiros, foi apostar no “bom e barato”. Claro que tem muitos méritos de Rogério Ceni nesse ponto, em saber garimpar e achar bons frutos, com preços que “cabem no bolso”, fato que permitiu ao time cearense montar um elenco sem grandes custos, mas com qualidade desejada. O resultado foi mais um acesso, e ainda, no ano seguinte, após 13 anos sem disputar a Série A, o Leão beliscou uma vaga na Copa Sul-Americana.

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O controle de gastos fez o Tricolor de Aço aumentar em cinco vezes seu orçamento em apenas três anos.

O jornalista especializado em finanças do esporte, Rodrigo Capelo, do globoesporte.com, fez uma análise do atual momento financeiro da equipe do Pici.

Fazendo um recorte entre os anos de 2015 à 2019, o Fortaleza viu seu orçamento sair de 19 milhões de Reais, para 115 milhões. Enquanto o endividamento, quem eram os mesmos 19 milhões em 2015, subiu para 35 milhões no último ano.

Desmembrando as receitas, o Leão do Pici teve aumento significativo com os direitos de transmissão. Entretanto, esse tópico deixa um sabor amargo. Quando o clube fechou contrato com a Turner, em 2016, por 9 milhões, a equipe jogava a Série C. O que à época era um contrato lucrativo, dadas as condições do campeonato. Mas ninguém contava, que em apenas três anos, o clube conquistasse dois acessos consecutivos, o que deixou os valores do contrato, obsoleto. Apesar do protesto da diretoria tricolor por igualdade nos pagamentos em relação as demais equipes que fecharam com o grupo Turner, a equipe cearense ficou sem acréscimos e busca na justiça, a quebra do contrato. Com todo esse imbróglio, o Leão arrecadou 46 milhões em cotas de TV.

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O marketing, setor bastante elogiado nacionalmente, em conjunto com a área comercial, arrecadaram 27 milhões. Parte desse bolo, se deve ao uso da marca própria (Leão 1918), estratégia adotada pelo clube. Apesar dos altos custos de produção, o lucro têm compensado a medida.

A torcida também teve papel fundamental nesse orçamento. Foi dela a segunda maior fonte de renda do clube. 33 milhões arrecadados com bilheterias e produtos ligados ao torcedor.

A fatia restante fica com vendas de atletas, que teve aumento significativo, mas representou apenas 7 milhões do valor total. O clube também arrecadou 2 milhões com outros faturamentos.

Depois de tanto tempo longe da elite, a diretoria tricolor foi cautelosa nas finanças. O orçamento esperado para 2019 era de 57 milhões. O obtido, foi maior que o dobro do esperado(115 milhões).

O levantamento traz ainda, o perfil do endividamento do clube, que teve acréscimos no último ano. A dívida a curto prazo(vencimento menor que um ano), saiu de 10 milhões em 2015, para 21 milhões em 2019. Já a dívida de longo prazo(vencimento maior que um ano), saiu de 8 milhões para 14 milhões.

Outro ponto a se analisar, são as dívidas trabalhistas do clube. Confira os valores:

Obrigações trabalhistas e previdenciárias a pagar

R$ 2,7 milhões em 2017
R$ 6,1 milhões em 2018
R$ 8,2 milhões em 2019

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Obrigações tributárias a pagar

R$ 146 mil em 2017
R$ 896 mil em 2018
R$ 2,2 milhões em 2019

Com todo esse saldo positivo obtido pelo clube, o torcedor do Fortaleza pode se perguntar: “Porque tanta cautela? A resposta é simples. O time vai para sua segunda temporada na primeira divisão. O fato de ter passado muito tempo longe da elite, fez o clube pouco investir em estrutura. Investimento esse, que passa a ser rigoroso, com a chegada de Ceni ao clube. Um exemplo desse processo, são as mudanças no Pici. O Alcides Santos, que era a sede do clube, mas também um estádio pouco utilizado, deu lugar a um Centro de Excelência. Processo este, ainda em andamento. E em 2020, apesar de não ter contratado vários nomes para compor elenco, o tricolor tirou David do Cruzeiro, por sonoros 5 milhões de Reais. Maior compra do clube.

A saúde financeira do Fortaleza vai ser posta a prova. Todos clubes têm pela frente o desafio de superar a crise no “Pós Pandemia”. Ter o balanço financeiro no azul, certamente vai pesar muito à favor.

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