Especial Acesso Coral 2018 – Parte 1: “Da segundona estadual ao acesso nacional”

Bastava uma exercício simples de observação para concluir que, em 2015, o Ferroviário era um clube à beira do fundo do poço. O Tubarão da Barra estava na Série B do Campeonato Cearense e seu pesadelo parecia não ter fim. Foram dois anos seguidos batendo na trave para conseguir retornar à elite do futebol local. Ainda em 2016, em meio a uma reviravolta judicial, o Peixe, 3° colocado, fica com o acesso após desistência do Alto Santo. Parecia pouco, mas era o início do renascimento coral.

O Ferroviário não resistiu ao Quixadá e está rebaixado para a segundo divisão estadual Foto: Ferrão.com.br
O Ferroviário perde pro Quixadá em 2014, e é rebaixado para a segundo divisão estadual – Foto: Ferrão.com.br
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Após amargar seu pior momento da história, o Ferroviário viveria, em 2018, capítulos dignos das suas maiores glórias. Em fevereiro, o clube conseguiu um empate épico diante do Sport, após estar perdendo por 3 x 0 em plena Ilha do Retiro, e ainda por cima eliminou o time pernambucano nos pênaltis, pela Copa do Brasil. Em julho, mais precisamente no dia 9, o Tubarão daria um passo ainda mais importante para a reconstrução da auto estima do seu torcedor: conquistaria o acesso à Série C do Brasileiro.

Para homenagear o Peixe e o torcedor coral, o Futebol Cearense preparou uma série especial sobre essa campanha inesquecível. Em três partes, conversaremos com alguns dos personagens daquela da saga, desde os que estiveram em campo, passando por aqueles que estavam nos bastidores, até chegar no bem mais precioso de qualquer clube: seu torcedor.

Ressurgindo das cinzas

Newton Filho assume a presidência do Ferroviário com a saída de ...
Hoje Presidente, Newton Filho fez parte da nova gestão coral – Foto: Thiago Gadelha

Em todos esses momentos, Walmir teve ao seu lado um braço direito: o então vice-presidente Newton Filho. Sob o comando da dupla, o Ferroviário foi campeão de três títulos: Brasileiro da Série D, Taça Fares Lopes de 2018 e Taça dos Campeões de 2019. Ainda nessa gestão, o Ferrão foi vice-campeão cearense em 2017 e disputou a Copa do Nordeste e Copa do Brasil em 2018. Mas, apesar de todos estes êxitos, não foi fácil assumir o clube na pior fase de sua história.

“Foi um momento de juntar os cacos”

Após a queda para a série B do campeonato estadual, o Ferroviário precisou se reinventar. Houve uma mudança no clube, até porque a gestão que estava no momento renunciou e houve uma quebra de continuidade. Foi um momento de juntar os cacos e, a partir daí, foram chegando pessoas novas. Foi um período de união de forças para que o clube pudesse se reerguer e, graças a Deus, tivemos uma gestão de continuidade que deu certo no campo também, com um crescimento de dentro pra fora, observando a sua estrutura, valorizando o clube e a marca “Ferroviário”. Um trabalho sério, planejado, organizado, com os pés no chão e que refletiu em campo, a partir do acesso no estadual até o acesso pra série C, consolidando uma busca do clube que estava há décadas sem ter um calendário inteiro (ano todo). Foi uma primeira etapa“, relembrou o vice-presidente coral à época.

Possuindo cargo de importância, Newton Filho viu de perto o desenrolar de todos os trâmites, desde a escolha da comissão técnica e a formação do elenco até os momentos de instabilidade na competição e a pressão do torcedor pelos resultados em campo. Diante de tudo, o gestor lembra da capacidade técnica e da união daquele grupo que marcaria a história do clube, com grandes vitórias e boas apresentações.

O time que conquistou o acesso era unido, encaixou bem. Como dizemos no futebol: “deu liga”. Éramos um time forte defensivamente mas que sabia atacar com qualidade, sendo fatal em seus ataques. Um time que marcou história no Ferroviário, com um comando técnico que soube conduzir todo esse momento. Oscilamos no campeonato, conquistando vitórias fora, mas tropeçávamos em casa e isso era fruto de uma pressão interna porque o time queria subir de divisão. Mas, após a primeira fase, engrenamos uma série de vitórias e praticamente fomos imbatíveis até o final“, discorre.

Ferroviário garante acesso nos pênaltis e define semifinais da ...
Jogadores do Ferroviário após a conquista do acesso à Série C — Foto: Pedro Chaves/FCF

Se o Castelão era a casa do Ferroviário, o estádio Amigão, em Campina Grande, acabou sendo o “salão de festas” coral naquela Série D. Além do acesso, o título também seria conquistado no interior paraibano. Em duas oportunidades, o torcedor do Tubarão da Barra viajou até a Paraíba para testemunhar as conquistas do seu time. Um desses estava lá, agora não só como torcedor mas como diretor, contribuindo diretamente para o sucesso do clube.

Campina Grande foi palco do jogo do acesso e do título, né? Passa toda uma história na cabeça de quem viveu tudo isso, de lembrar desde aquele período difícil que o Ferroviário viveu até o momento estávamos agora, conquistando. Relembramos com muita alegria os frutos do trabalho, todo o empenho alocado, a dedicação que deu resultado. No ponto de vista pessoal, uma alegria muito grande de quem vive o clube, um torcedor desde que nasceu. Viver todo esse momento histórico foi muito gratificante. É saber que contribuí para que o clube ressurgisse da cinzas“, comentou o atual presidente e também torcedor coral.

Marcelo Vilar: “Sem demagogia, o mais importante”

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Foto: Pedro Vitorino

A campanha começou sob desconfiança, principalmente pelo desempenho do time que não empolgava o torcedor. Ainda assim, a equipe superou a fase de grupos em 1º lugar e de forma invicta. Entretanto, a pressão das arquibancadas acabou levando a diretoria a mexer no comando técnico visando o mata-mata nacional. Assim, Maurílio Silva foi demitido.

Para seu lugar, um velho conhecido: Marcelo Vilar. O treinador chegou motivado pelo elenco que teria em suas mãos, com nomes como Juninho Quixadá, Édson Cariús e Leanderson. A partir disso e com Cariús subindo de produção, marcando 11 gols em 10 jogos, o Ferrão foi implacável. Ao todo foram sete vitórias, seis empates e apenas três derrotas, anotando 26 tentos e sofrendo 18.

Quando eu recebi o convite para vir, uma das coisas que me motivou foi o fato de conhecer muitos dos atletas que estavam no grupo, alguns já tinham jogado comigo em outros clubes e eu sabia do potencial deles. Cada mata-mata foi simbólico. Esse tipo de competição é de tirar o fôlego e o grupo encorporou o espírito da competição. Eles sabiam que dali poderia surgir situações que poderiam modificar suas vidas. Foi muito gratificante comandar aquele grupo“, enalteceu o treinador.

Mesmo com um currículo vencedor na carreira, Vilar coloca as conquistas com o Tubarão na sua primeira prateleira.

Um acesso sempre é importante na carreira de qualquer treinador, ainda mais sendo na sua casa e com o título, não tem preço. Claro que deve ter tido algum peso para a minha carreira, mas sem demagogia, é o mais importante para mim que nasci e me criei em Fortaleza e vi grandes momentos do Ferroviário. Teve muito mais peso ver o clube ressurgir para o desporto nacional com calendário próprio“, declarou o comandante.

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De volta exatamente um ano após sua saída do clube, Marcelo Vilar hoje possui status de ídolo. Muito, é claro, em função das conquistas de 2018.

“Vejo que o clube continuou com sua sequência de evolução no tocante a estrutura e a direção está de parabéns por isso. Esperamos conseguir o acesso para a Série B, pois com ele o clube poderá crescer ainda mais.”, finalizou.

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